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MEDO NA ESCOLA
O massacre da educação começou da forma mais inesperada possível. Esperávamos que a violência, droga, dinheiro fácil em roubos e diversos outros motivos encontrados nas ruas fossem cada vez mais afastando nossas crianças e jovens das escolas, mas ao contrário disso, as próprias escolas com desinteresse pela educação pública e negligência estão eliminando o sonho de um futuro melhor de diversos jovens em todo o Brasil.
O resultado impressionante da pesquisa realizada pelo Instituto Fernand Braudel em parceria com a Fundação Victor Civita que baseia-se na opinião de pais de alunos das escolas públicas, informa que as agressões físicas (45%), roubos e furtos (40%) e consumo de drogas (32%) são os casos de violências mais freqüentes, segundo os pais dos alunos, dentro das escolas públicas. Conversas sobre os conteúdos aprendidos na sala de aula, lições de casa e trabalhos solicitados pelos professores, são os assuntos com menos importância em casa após as aulas. A preocupação dos pais é maior com as brigas e uso de drogas no recreio. A indisciplina e desorganização das escolas públicas, principalmente nas grandes cidades é vergonhosa. O lugar que deveria educar, ensinar, cuidar e proteger das adversidades do mundo está sendo um lugar de medo e terror para os pais que se sentem inseguros em levar seus filhos para a escola e principalmente para os alunos por conviver diariamente com toda essa violência. A situação é tão absurda que já está sendo item de solicitação dos próprios pais que haja policiamento nas escolas.
Até quando vamos ter que nos calar com o desinteresse das administrações das escolas e do Ministério da Educação?
Até quando a polícia terá que ser utilizada para fazer de forma bruta o papel do educador?
Até quando a população ficará calada diante de todo esse “espetáculo de medo e horror”?
Segundo estudos da Unesco, a vulnerabilidade encontrada nas escolas por pais e alunos só aumentam as faltas às aulas e pioram os estudos. Mas esse problema não é somente encontrado no Brasil, a única diferença é que nos outros países medidas severas foram tomadas e os resultados foram obtidos rapidamente. Londres, Nova York e Cidade do México são exemplos de países bem sucedidos em suas atitudes. Só em Nova York a ocorrência de violência nas grandes redes de escolas públicas do país caiu 10% em apenas dois anos através de estáticas para mapear os problemas e um núcleo de educadores para tratar os casos mais sérios de violência na escola.
Agora analisando as ações tomadas por outros países será que é tão difícil para o Brasil seguir esse exemplo?
Claro que não, mas falta interesse das autoridades em pesquisar ações tomadas por outros países, falta vontade de disponibilizar pessoas para fazer as pesquisas e atitude das próprias instituições em designar funcionários para formar grupos de educadores para tratar os casos de violência. O desinteresse, a desorganização e a indisciplina das escolas públicas brasileiras podem levar a “falência” da educação no país. Portanto precisamos perguntar a nós mesmo:
Quais as atitudes nós estamos tendo para mudar essa situação?